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Treinar para o Natal

Na homilia do 1º Domingo do Advento 2020, o Papa Francisco usou uma expressão que temos usado com recorrência: a fé como resultado de um treinamento. Entendemos que a fé cristã, antes de ser um show ou distribuição de graças, é treinamento. 


Há o perigo de levarmos uma vida distraída, desfocados do essencial, de perder-nos em mil coisas e não perceber a presença de Deus. A vigilância da oração é o que pode nos despertar da mediocridade que vem quando esquecemos o essencial, o porquê viemos a este mundo e avançamos prestando atenção somente em viver tranquilos. Isso corrói a fé e compromete a vigilância, que se alimentam da oração: isto é treinamento, pois não se consegue de uma só vez e quanto mais exercita mais desenvolve. A vida de oração é o centro, que alimenta a vigilância e a fé. Por isso, fé é treinamento. Pondera o Papa: “Rezar e amar: aqui está a vigilância. (...) Quando a Igreja adora a Deus e serve o próximo, não vive na noite. Ainda que esteja cansada e provada, caminha rumo ao Senhor.” 


O tema da oração aparece muitas vezes na literatura bíblica e quase sempre vinculada a situações concretas na caminhada histórica do povo de Deus. Isto para evitar uma oração desvinculada da vida e de um sincero crescimento humano e espiritual. O evangelista Lucas, nos Atos dos Apóstolos, com precisão descreve esta realidade: “Perseveraram na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações” (At 2,42). Aqui aparecem quatro características essenciais para vida da Igreja: primeira, a escuta do ensinamento dos apóstolos; segunda, a conservação da comunhão recíproca; terceira, a partilha do pão e, quarta, a oração. 


As Diretrizes da Ação Evangelizadora da CNBB 2019-2023 para expressar esta realidade usam a imagem da casa, que corresponde à comunidade e que tem quatro pilares: Palavra de Deus, Eucaristia, Caridade e Missão. Equivale à primeira comunidade, descrita por Lucas nos Atos dos Apóstolos. Tem apenas uma diferença, no lugar da palavra “oração” usa “missão”. Pois a oração, se for autêntica, ou seja, conectada com a Trindade Santíssima, leva, inevitavelmente, para a missão. 


Para que a Igreja cresça precisa considerar estes quatro pilares. Papa Francisco orienta: “para discernir uma situação, devemos nos perguntar como, em tal situação, existem estas quatro coordenadas: a pregação, a busca constante da comunhão fraterna – a caridade –, a partilha do pão – isto é, a vida eucarística – e a oração” (Missão). E tudo o que cresce fora dessas coordenadas é desprovido de fundamento, é como uma casa construída na areia (cf. Mt 7,24-27). 


Este tempo de Advento deve iluminar nossa vigilância na espera pelo Senhor que vem, já que “vigiar é não se deixar dominar pelo desânimo, é viver na esperança”. A Palavra de Jesus anima e dá sentido aos nossos esforços num treinamento que envolve a vida inteira. 


E Francisco recomenda: devemos pedir “Vem, Senhor Jesus!”, pois, “ao invocarmos a proximidade do Senhor, treinamos a nossa vigilância”. 


Foto: cathopic


 
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