Sagrada Família de Nazaré

No domingo entre a Festa do Natal e o Primeiro do Ano encontramos a festa litúrgica da Sagrada Família. O ambiente de nascimento do Menino Deus chama a atenção à realidade familiar. Deus escolheu uma família para que nela seu Filho fosse amado e cuidado. Deus, que é Todo-Poderoso, poderia inventar outras formas para seu Filho vir ao mundo e executar seu Plano de Amor, mas quis que tudo acontecesse dentro de uma família humana.


A família de José, Maria e Jesus é chamada “sagrada” porque em tudo procurou viver, com a máxima fidelidade, o Projeto de Deus: “Eis a escrava do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1, 38). Na Carta aos Hebreus está escrito: “Eis que venho, ó Deus, para fazer a tua vontade” (Hb 10,7). E no Evangelho de João: “Disse-lhes Jesus: ‘Meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou e cumprir a sua obra’” (Jo 4,34). São José é elogiado na Escritura como homem justo. Ele tomou sábias decisões visando sempre a fidelidade.


Jesus nasceu numa verdadeira família, mesmo sendo muito pobre, ofereceu tudo o que necessitava para crescer e viver com dignidade. Ele enfrentou tantas adversidades, mas teve o essencial, amor familiar, iluminado pela religião. Maria, José e Jesus são o símbolo da verdadeira família idealizada por Deus.


A liturgia bíblica evidencia que a família de Nazaré não nasceu sagrada, mas tornou-se sagrada, porque colocou acima de tudo a vontade de Deus. É bem verdade que Maria teve uma ajuda, foi preservada do pecado original em vista dos méritos de Cristo. Mas ela permaneceu livre para decidir se cumpriria ou não vontade de Deus.


O sagrado nunca deve ser interpretado como ameaça ou proibição, mas sempre como ideal a ser atingido, uma meta elevada a ser desejada, para que não falte a graça de Deus. A Sagrada Família nos é apresentada como modelo a ser seguido. As famílias de todos os tempos, que desejarem ser sagradas, são convidadas pela Igreja a se espelharem em Jesus, Maria e José.


A família é chamada a ser uma “Igreja Doméstica”, como fala o Catecismo da Igreja Católica (1655s). A pandemia nos ajudou a descobrir e a experimentar a força da vida familiar. Nela aprendemos a reconhecer o amor de Deus, presente entre aqueles que se amam e doam a vida uns pelos outros, podendo dizer que Jesus está no meio deles (cf. Mt 18, 20). Os valores familiares cristãos são redescobertos na sacralidade da família. Não existe melhor lugar para se encontrar com Deus pela primeira vez do que no colo dos pais, quando ainda se é criança. Disse o Cardeal Vicente Scherer: “Família que reza unida, permanece unida”. Quanta gente com a pandemia descobriu a riqueza de rezar o terço em família? 


À Sagrada Família de Nazaré confiemos nossas famílias: “Ó Deus de bondade, que nos destes a Sagrada Família como exemplo, concedei-nos imitar em nossos lares as suas virtudes para que, unidos pelos laços do amor, possamos chegar um dia às alegrias da vossa casa. Amém.” 


 
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