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Quando se fala com autoridade?

A liturgia do 4º Domingo do Tempo Comum nos apresenta o jeito de Deus olhar o mundo, sendo que Ele o aprova e abençoa. Por outro lado, Ele não se conforma com os projetos de egoísmo e de morte que empobrecem o mundo e escravizam os homens. 


O Papa Francisco, na Encíclica “Fratelli Tutti”, assegura que o homem não é feliz quando se entrega ao egoísmo ou a “grupos fechados”. Cita São Paulo, que exortava os seus discípulos “a ter caridade uns para com os outros e para com todos” (1Ts 3,12), e São João, que pedia “que fossem bem recebidos os irmãos, ‘mesmo sendo estrangeiros’ (3Jo 5). É o “amor que rompe as cadeias que nos isolam e separam, lançando pontes; amor que nos permite construir uma grande família onde todos podemos nos sentir em casa (…). Amor que sabe de compaixão e dignidade” (FT, 62).


Papa Francisco propõe ultrapassar a “visão individualista” e desenvolver a fraternidade entre os povos, que ele chama de “amizade social”. Ele propõe a construção de uma “comunidade mundial, capaz de realizar a fraternidade a partir de povos e nações que vivam a amizade social, é necessária a política melhor, a política colocada ao serviço do verdadeiro bem comum” (FT, 154). Pois, o projeto de Deus não é somente salvar individualidades, mas salvar um povo, o Povo da Aliança (cf. Ex 19,5).


Francisco denuncia a forma atual de fazer política, porque não incorpora os mais pequeninos, frágeis e pobres e não respeita a diversidade cultural. Diz que vivemos uma crise de autoridade pessoal e institucional. Em boa parte, essa crise se deve à “perda de poder dos Estados nacionais, sobretudo porque a dimensão econômico-financeira, de caráter transnacional, tende a prevalecer sobre a política” (FT, 172). No mesmo parágrafo, continua: Deveríamos criar “organizações mundiais mais eficazes, dotadas de autoridade para assegurar o bem comum mundial, a erradicação da fome e da miséria e a justa defesa dos direitos humanos fundamentais”.


No Evangelho deste domingo, Jesus, cumprindo o projeto libertador do Pai, pela sua Palavra e por sua ação traz um ensinamento novo, “com autoridade”. A sociedade em que Jesus estava inserido também passava por uma crise de autoridade. “E todos ficaram muito espantados e perguntavam uns aos outros: ‘O que é isto? Um ensinamento novo dado com autoridade: Ele manda até nos espíritos maus, e eles obedecem!’” (Mc 1,27).


Vivemos num mundo de muitas falas: Fala o rádio, fala a TV, falam os políticos, fala a Escola, fala a Religião (e são tantas religiões) e falam as redes sociais. Quantas palavras vazias e sem autoridade! As pessoas comentavam sobre Jesus: “Ele fala com autoridade”. 


Como falar com autoridade? Quando os padres, professores, políticos, juízes... falam com AUTORIDADE?


A Autoridade não brota simplesmente das palavras, não se impõe pela força, mas se conquista com uma autêntica vivência humana e cristã.


Deus abençoa quando a humanidade cria projetos de liberdade e de vida plena. A Palavra de Jesus liberta, transforma, dá vida...


Foto: cathopic


 
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