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Ovelhas sem Pastor

Ao olharmos para a educação das crianças e jovens, hoje, percebemos que, não raro, gasta-se muito tempo e dinheiro na preparação para a vida profissional e muito pouco para descobrir a vocação e missão. Outro equívoco é usar as palavras vocação e profissão como se os dois termos fossem sinônimos e estivessem no mesmo nível. Investe-se muito no fazer em detrimento do ser.


É necessário diferenciar estes dois termos: a vocação antecede a profissão, dá fundamento e orienta o agir na direção correta. A palavra “vocação” vem do latim “vocare”, que quer dizer “chamar”. Portanto, a vocação nasce de um chamado de Deus e requer, um exercício de discernimento, para que, quando descoberta, ilumine as decisões de forma livre e responsável. Por vir de Deus, é mais do que um convite, é uma orientação de direção e sentido.

 

vocação está dentro de nós, desde antes do nascimento (cf. Jr 1,5). É inerente ao nosso ser e vai se revelando, pouco a pouco, à medida que vamos descobrindo quem somos e a razão pela qual viemos a este mundo. Por isso, vocação não deve ser mudada, é um projeto de existência, que inicia antes do nascimento e vai para além deste mundo. A vocação está no nível do ser. Ser pai, ser mãe, ser religioso/a, sacerdote… É um chamado de Deus e uma resposta da pessoa, para um determinado ‘estado de vida’. A vocação é única e definitiva. Na vocação, a dedicação é de 24 horas por dia, como acontece com pai, mãe, padre, pastor, religioso… A vocação é doação gratuita e permanente. 

 

Já a profissão está no nível do fazer. Realizar uma ação como professor, agricultor, cientista, faxineiro, mecânico... A profissão é uma atividade que a pessoa escolhe de acordo com as aptidões, possibilidades e interesses. Ela é fonte de renda, de dignidade e dá direito a uma aposentadoria. A pessoa pode ter mais do que uma profissão, trabalhar determinadas horas e pode também mudar quando não estiver satisfeita. 

 

Vemos, não raro, pessoas bem sucedidas profissionalmente, mas insatisfeitas existencialmente. Neste caso, a pessoa estará sempre em busca e quase sempre tenta compensar a ausência de sentido do que faz com bens materiais. Troca de casa, de carro e até de família e o vazio interior continua. O que lhes falta é a vocação. A pessoa que descobre a sua vocação consegue fazer uma escolha certa da profissão e torna-se uma pessoa integrada, feliz e realizada.

 

Também temos em nossa Igreja a vocação aos serviços, aos ministérios extraordinários, conselhos, catequese..., na qual a pessoa em outra vocação estável (pai, mãe) dedica algumas horas por semana, de forma gratuita, a serviço da comunidade.

“Jesus viu uma numerosa multidão e teve compaixão, porque eram como ovelhas sem pastor” (Mc 6,34). A pessoa que, em suas escolhas e decisões, não considera a dimensão vocacional, não se tornaria como ovelha sem pastor? Todos devemos fazer-nos a pergunta fundamental: a que Deus me chama? Qual é a minha missão na vida?

 

Para aprofundar este tema, a Diocese de Uruguaiana, no dia 1º de agosto, dará início a um Ano Vocacional.


 
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