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Livres para servir

Que sentido tem o sofrimento e a dor para o ser humano enquanto vai peregrinando por este mundo? Qual é o projeto de Deus para o homem? Existe um projeto de vida verdadeira e plena? São perguntas que acompanham o coração humano desde o nascimento até a morte. Para respondê-las, é necessário fazer um percurso.


No Evangelho da cura da sogra de Pedro (Mc 1,29-39) podemos encontrar respostas para estas perguntas. Veremos Jesus agindo em favor dos que sofrem: ele apresenta a face de um mundo que Deus sonhou para os homens, sem sofrimento, sem opressão e sem exclusão. O mesmo texto deixa evidências claras que a ação de Jesus deve ser continuada pelos seus discípulos.


A narrativa do Evangelho apresenta um episódio cheio de significados. Jesus vai à casa de Simão Pedro e André e lá encontra a sogra de Pedro doente, com febre; toma-a pela mão, ajuda-a a levantar-se e a mulher está curada e começa a servir. Podemos interpretar que Jesus desce até a humanidade e a encontra deitada, doente, com febre. Jesus estende a sua mão, ajuda a levantar-se e cura-a. 


O Papa Bento XVI interpreta, neste episódio, toda a missão de Jesus: “Jesus vindo do Pai vai à casa da humanidade, na nossa terra, e encontra uma humanidade doente, doente com febre, com aquela febre que são as ideologias, as idolatrias, o esquecimento de Deus. O Senhor dá-nos a sua mão, levanta-nos e cura-nos. E faz isto em todos os séculos(...). Toma a nossa mão nos sacramentos, cura-nos da febre das nossas paixões e dos nossos pecados mediante a absolvição no sacramento da reconciliação. Dá-nos a capacidade de nos erguermos, de estarmos de pé diante de Deus e diante dos homens” (Homilia na visita à Paróquia de Santa Ana, no Vaticano, 5 de fevereiro de 2006).


O Papa Francisco afirmou que a Igreja sempre considerou a assistência aos doentes parte integrante da sua missão, uma via privilegiada para encontrar Cristo, para acolhê-lo e servi-lo. “Curar um doente, acolhê-lo, servi-lo, é servir Cristo: o doente é a carne de Cristo” (Angelus, 8 de fevereiro de 2015).


Celebraremos o XXIX Dia Mundial do Doente na próxima quinta-feira, 11 de fevereiro, também memória de Nossa Senhora de Lourdes. É um convite para prestarmos uma atenção às pessoas doentes, nos hospitais e nas casas de famílias, e a todos os trabalhadores na área da saúde. Lembremos de modo particular as pessoas que sofrem em todo o mundo os efeitos da pandemia do coronavírus. A todos, especialmente aos mais pobres, asseguramos o afeto da Igreja.


Nossa sociedade será tanto mais humana quanto melhor souber cuidar dos seus membros frágeis e atribulados e o fizer com uma eficiência animada pelo amor fraterno. Olhemos para esta meta, façamos que ninguém fique sozinho, nem se sinta excluído ou abandonado.


Este é o caminho de Jesus e deve ser de seus discípulos e é precisamente neste caminho que encontremos as respostas para as perguntas feitas no início deste texto: Deus nos quer livres, para servir.


 
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