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As sombras de um mundo fechado

A Encíclica “Fratelli Tutti” (Todos Irmãos), do Papa Francisco, um texto dedicado à fraternidade e à amizade social, procura acender uma luz de esperança na humanidade, próprios do Natal de Jesus, especialmente neste tempo de pandemia. 


A “Fratelli Tutti” é uma encíclica de cunho social e quer estimular a utopia cristã da fraternidade universal entre as nações e culturas. Nela Francisco dá continuidade à reflexão social realizada pela Igreja nas últimas décadas. A “Caritas in Veritate” (Caridade na Verdade), do Papa Bento XVI, por exemplo, aparece 12 vezes e é um dos documentos mais citados. Esta encíclica não é resumo de anteriores nem de outros textos do Papa Francisco, mas é a coroação de toda a Doutrina Social da Igreja. Assim, numa perspectiva de fé cristã, a Igreja se sente na obrigação de apontar luzes para a humanidade e denunciar as sombras deste mundo fechado sobre si mesmo e de ideologias que pretendem excluir os diferentes.


No primeiro capítulo, “As Sombras dum Mundo Fechado” (nn. 9-55), o Papa Francisco adverte que os avanços das últimas décadas rumo à integração parecem ter ficado para trás, com a volta de “nacionalismos fechados” e agressivos e de conflitos que pareciam superados. O Papa aponta vários sinais de um mundo fechado: a perda da consciência histórica, a polarização da política, a imposição de um modelo cultural único e globalizado, a cultura do descarte, a escravidão moderna, as guerras, os ataques terroristas, a perseguição por motivos raciais ou religiosos, a pandemia, a desinformação e a ameaça aos migrantes. As mulheres, especialmente as pobres, as camponesas, as negras e as indígenas, são particularmente atormentadas em sua dignidade. 


Os avanços científicos e tecnológicos parece que não ajudaram a construir uma direção comum e nem a valorizar a riqueza da vida comunitária. O desenvolvimento econômico não reduziu a disparidade entre ricos e pobres. Ao contrário, priorizou o lucro às custas da proteção dos fracos e contribuiu para o agravamento dos problemas sociais e ambientais, onde a política tornou-se a escrava da economia. Em pleno século XXI encontramos a escravidão presente em formas sofisticadas e repugnantes.


Apesar destas “densas sombras que não devem ser ignoradas”, o Papa assegura que, com esta encíclica, pretende deixar uma mensagem de esperança, pois “Deus continua a lançar sementes de bem na humanidade” (n. 54). 


Francisco indica seu objetivo: “Entrego esta encíclica social como humilde contribuição para a reflexão, a fim de que, perante as várias formas atuais de eliminar ou ignorar os outros, sejamos capazes de reagir com um novo sonho de fraternidade e amizade social que não se limite a palavras” (n. 6).


Que o Santo Natal que vamos celebrar lance luzes de esperança sobre nós e nosso pequeno Planeta! FELIZ E ABENÇOADO NATAL!


 
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