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Alegrai-vos sempre no Senhor!

Chegamos ao Terceiro Domingo do Advento, conhecido como Domingo da Alegria. Poderíamos nos perguntar: é possível, alegria, em tempo de pandemia? Ou então, que alegria a liturgia deste domingo nos convido a viver e celebrar? 

 

A literatura bíblica oferece inúmeras passagens convocando o povo para a alegria. Os livros do Antigo Testamento anunciam a alegria da salvação, que há de tornar-se abundante nos tempos messiânicos. O profeta Isaías dirige-se ao Messias esperado, saudando-O com regozijo: “Multiplicaste a alegria, aumentaste o júbilo” (Is 9, 2). E anima os habitantes de Sião a recebê-Lo com cânticos: “Exultai de alegria!” (Is 12, 6) E ainda exclama: “Exulto de alegria no Senhor e minh\'alma regozija-se em meu Deus (...). Assim como a terra faz brotar a planta e o jardim faz germinar a semente, assim o Senhor Deus fará germinar a justiça e a sua glória diante de todas as nações” (Is 61,10-11). 

 

No Evangelho, “Alegra-te” é a saudação do anjo a Maria (Lc 1, 28). A visita de Maria a Isabel faz com que João salte de alegria no ventre de sua mãe (cf. Lc 1, 41). No seu cântico, Maria proclama: “O meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador” (Lc 1, 47). O próprio Jesus “estremeceu de alegria sob a ação do Espírito Santo” (Lc 10, 21). A sua mensagem é fonte de alegria: “Manifestei-vos estas coisas, para que esteja em vós a minha alegria, e a vossa alegria seja completa” (Jo 15, 11).

 

O convite é para uma alegria de realização, uma alegria de esperança, vivida no Senhor. É a expectativa da vinda do Senhor que gera uma alegria diferente na vida daquele que espera. É uma alegria diferente daquela que sentimos ao ganhar ou oferecer presentes. A alegria que a liturgia nos convida a procurar transcende a nossa capacidade de explicar.

 

O Papa Francisco inicia o documento programático “Evangelii Gaudium” com a expressão: “A Alegria do Evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus. Quantos se deixam salvar por Ele são libertados do pecado, da tristeza, do vazio interior, do isolamento. Com Jesus Cristo, renasce sem cessar a alegria” (EG 1).

 

Na encíclica “Fratelli Tutti”, Papa Francisco sinaliza para uma alegria que surge da capacidade de superar conflitos, pagando o mal com o bem e cultivando aquelas virtudes que promovem a reconciliação, a solidariedade e a paz. Diz o Papa: “Deste modo a bondade, ‘a quem a faz crescer dentro de si, dá uma consciência tranquila, uma alegria profunda, mesmo no meio de dificuldades e incompreensões. E até perante as ofensas sofridas, a bondade não é fraqueza, mas verdadeira força, capaz de renunciar à vingança’” (FT 243).

 

A celebração do Natal é uma festa de alegria, preparemo-nos para acolher o Príncipe da Paz, que mais uma vez quer nascer em nossos corações, trazendo-nos a verdadeira alegria. Sigamos o conselho do Apóstolo Paulo: estar sempre alegres em Cristo; orar sem cessar, buscando realmente ser amigo íntimo do Senhor, dando graças em todas as circunstâncias, sabendo que Ele está próximo de nós, nunca longe de nossas aflições e desafios (cf. 1Ts 5,15-18).


 
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