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Advento como vivê-lo?

Iniciamos mais um ano no Calendário Litúrgico católico com o período do Advento. Trata-se de um tempo de preparação para celebrar o Natal. Advento significa vir, chegar, chegada do Messias. 


O Advento tem a duração de quatro semanas e está dividido em duas partes: as primeiras duas semanas nos ajudam a meditar sobre a vinda do Senhor quando ocorrer o fim do mundo, ou final dos tempos. As duas semanas seguintes nos conduzem à realidade sobre o nascimento de Jesus e a maneira como entrou em nossa história, com a celebração do seu Natal. 


Para sinalizar de forma visível este tempo, em nossas casas e igrejas, é colocada a coroa do Advento, e se acende uma vela a cada domingo. A cor predominante nos paramentos do sacerdote e nas toalhas do altar é o roxo, como símbolo de preparação e penitência. Na missa, não é cantado o hino do Glória. A Liturgia suprime alguns elementos festivos para acentuar a dupla preparação de espera, que caracteriza esse tempo litúrgico. 


Para reviver a vinda de Jesus, nas leituras bíblica ouviremos os profetas da Antiga Aliança. O principal é Isaías, que assim descreve o futuro Messias: “Um menino nos nasceu, um filho nos foi dado; a soberania repousa sobre seus ombros, e Ele se chama: Conselheiro admirável, Deus forte, Pai eterno, Príncipe da paz” (Is 9,5). O último dos profetas, personagem que faz a transição entre a Antiga e a Nova Aliança, é São João Batista. Pregador austero, inflamado de zelo, chama o povo ao batismo de penitência e conversão para receber o Messias com os corações purificados. Os Evangelhos associam sua figura à profecia de Isaías: “Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, tornai retas suas veredas” (Mt 3,3).


A celebração do Natal e nossa esperança devem ser ancoradas na realidade que vivemos em nosso país, nos sentidos político, econômico, social, ético e, sobretudo, da saúde, por causa da pandemia do coronavírus covid-19. Talvez a pregação de João Batista nos ajude a perceber o quanto são efêmeras as promessas de felicidade feitas pelo “deus” mercado e pelo insaciável consumismo que coloca o bem-estar como objetivo último da vida. 


Temos esperança na criação de uma vacina para nos livrar do covid-19. “Da crise não saímos iguais. Ou saímos melhores ou saímos piores”, afirmou Papa Francisco na ONU. Mas se continuarmos a nos alimentar de falsas esperanças, inevitavelmente sairemos piores, comprometendo o presente e o futuro. É preciso retomar os valores fundamentais da vida e da sociedade humana, orientadas pela ética e pelo espírito que veio trazer o Menino da Gruta de Belém.


Portanto, entremos no Advento na busca de um novo caminho, de renovação, seja do culto em nossas igrejas, seja do nosso modo de pensar, de agir e de viver. Jesus vem para nos salvar. Por isso, “nós exortamos e encorajamos vocês, e testemunhamos para que levassem uma vida digna de Deus, que os chama para o seu Reino e glória” (lTs 2,12). 


Foto: cathopic


 
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