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A vida na Santíssima Trindade

A Igreja Católica dedica o primeiro domingo depois de Pentecostes à Santíssima Trindade. Trata-se de um convite para contemplar a Deus que nos criou e se apresenta a nós como Amor, Família e Comunidade. Nosso Deus não é solitário, sozinho, perdido no infinito. O Pai é o princípio do Amor. O Filho Jesus é a personificação desse Amor. O Espírito Santo é o Dom, é a comunicação desse Amor.


Jesus nos revelou o mistério da Trindade como gesto de amor e amizade. Deus nos ama e quer nos revelar os segredos de sua vida íntima. É assim que Ele quer que vivamos, na unidade e em comunidade: Pai, que todos sejam um como eu e tu somos um! (Jo 17,11).


Nós fomos criados à imagem e semelhança de Deus, trazemos no nosso DNA a vocação ao amor, à família e à vida comunitária. Somos seres em relações, vocacionados à convivência fraterna. A vida cristã é essencialmente relação, sempre voltada na direção dos outros. A realização humana está na alteridade, contrário de egoísmo, que o Papa Francisco chama de “Cultura do Encontro”.


A vivência religiosa deve ser experiência de amor doação e partilha, de família e comunidade, na Trindade: a melhor comunidade. Quanto mais nos esforçamos para viver esse amor – mesmo neste mundo dividido, individualista e sem esperança –, mais refletiremos o Mistério da Santíssima Trindade.


Nas atuais Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora para a Igreja no Brasil temos como eixo central as Pequenas comunidades eclesiais missionárias enquanto local apropriado para a vivência religiosa e ambiente de vivência da fé, do mandamento do amor e da missão de evangelizar. A formação de pequenas comunidades eclesiais missionárias é apresentada pelas Diretrizes como prioridade da ação evangelizadora (nº 36).


As pequenas comunidades oferecem e favorecem os meios adequados para o crescimento na fé, na comunhão fraterna e na missionariedade, e assim a renovação da vida neste mundo urbanizado. A dimensão vocacional aparece quando as comunidades, à medida que são evangelizadas, se tornam sempre mais evangelizadoras, atraindo mais pessoas, pelo seu jeito de ser. Percebemos que há um vínculo indissolúvel entre vocação, comunidade e missão. A comunidade autêntica será necessariamente missionária e toda missão se alicerça na vida de comunidade e tende, assim, a gerar novas comunidades. É a dinâmica vocacional: chamado e resposta.


Em nossa peregrinação por este mundo ninguém se salva sozinho, não existe o cristão avulso e independente, mas pertencemos ao único Corpo de Cristo, onde Ele é a cabeça e nós seus membros. A vida comunitária encontra seu fundamento e força na Comunidade Trinitária.


Que a celebração da Santíssima Trindade nos anime para sermos pessoas e comunidades abertas, acolhedoras e misericordiosas, certos que isso é indispensável para entrarmos no mistério mais profundo de nossa fé e da vida cristã e assim testemunharmos a vivência cotidiana do amor fraterno, principal meio de evangelização.

 
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