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A tarefa missionária dos leigos

Quando falamos de missões na Igreja, ainda vem a nossa mente um grupo de religiosos e sacerdotes que se dedicavam quase que exclusivamente a essa atividade. Uma grande cruz colocada na frente das capelas com a data das missões. Este modelo missionário ainda é funcional, mas em acentuado declínio. No futuro não será mais assim. Os leigos serão os missionários do futuro.


Se no passado evangelizar consistia, sobretudo, no ensinamento da doutrina cristã, das verdades do catecismo e das orações, hoje é necessário evangelizar com a vida. Por isso, o futuro da missão da Igreja passa pelos leigos. No agir missionário do passado se olhava muito para os territórios da evangelização, a paróquia ou diocese. A tendência do futuro da missão é não se limitar somente a territórios, mas estender-se a todas as regiões da terra e a sociedade global. E acontecerá, principalmente, através do testemunho de vida.


Nos primeiros séculos da Igreja, a evangelização aconteceu através do testemunho dos cristãos leigos. Com a sua vida eles atraíram muitas outras pessoas ao Evangelho e suscitaram o desejo de se tornar, como eles, discípulos de Jesus. O cristianismo foi levado a Roma pelos leigos, bem antes da chegada de Pedro e Paulo. Em vários outros lugares o Evangelho foi levado por aqueles cristãos leigos que, depois do martírio de Santo Estevão, foram obrigados a abandonar Jerusalém (At 8,1).


Para os primeiros cristãos, depois de encontrarem Jesus, era absolutamente normal anunciar o Evangelho em toda a parte que fossem. “Eles viam como uma coisa totalmente natural anunciar – com a palavra e com o testemunho de vida – a grande novidade que tinha mudado a sua existência, ou seja, o encontro com Jesus, a sua ressurreição, a sua presença permanente na Igreja, o dom do Espírito Santo que tinha renovado cada um deles no íntimo do seu ser” (Cardeal Kevin Farrell, Curso para Bispos, 2022). 


Hoje as pessoas da sociedade moderna vivem absorvidas nos seus compromissos e são, muitas vezes, incapazes de ir além dos próprios interesses. São pouco sensíveis e até hostis aos que lhes oferecem algo que não lhes fora desejado. No entanto, quando aos olhos destes homens e destas mulheres aparecem leigos que vivem as bem-aventuranças do Evangelho, isso surpreende e inquieta. São pessoas normais, como todas, mas não por puro interesse egoísta, tomam decisões importantes na vida familiar, profissional, social e política. Estes leigos missionários são guiados por uma luz superior, que é aquela do Evangelho. Não são apenas opiniões ou doutrina, mas um jeito de viver. O jeito de Jesus de Nazaré, por isso as atrai.


,Se nos primeiros séculos o testemunho da fé cristã estava no DNA de todo fiel não haverá por certo, em nosso tempo, outro caminho mais exitoso para o agir missionário da Igreja. Papa Francisco tem insistido nesta tese: “Todo batizado, qualquer que seja a sua função na Igreja e o grau de instrução da sua fé, é um sujeito ativo de evangelização” (EG 120).


 
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