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Tendências da Atualidade

Na Assembleia Geral da CNBB 2019, a Comissão Episcopal para a Doutrina da Fé, numa declaração, advertiu para algumas tendências da atualidade que ameaçam a vivência da fé, na sua unidade e integralidade. São erros na compreensão e vivência da fé:


1- O problema do ateísmo e do secularismo. Há uma recusa da autoridade. Só se aceita a tolerância. A impunidade diante dos erros, com base no dito “o inferno existe, mas está vazio”, pode conduzir à banalidade do mal. Negando a existência de Deus tudo é permitido; assim, se abre caminho para teorias como a ideologia de gênero, globalismo, liberalismo, etc. Enfim, o direito de a Igreja existir no mundo moderno é contestado até por cristãos.


2- O antropocentrismo exagerado que leva ao relativismo em todos os campos, inclusive o ético. Afirma-se que o homem não só pensa, mas faz a (sua) verdade. É a fé dissociada da prática (que o Papa Francisco chama de hipocrisia). O homem se faz Deus e tudo recria.... De um lado há os que acham suficiente acudir às urgências no empenho por um mundo justo e fraterno, e por outro lado a tendência ao fundamentalismo espiritual, que deseja uma Igreja espiritualista, separando fé e vida. A fé é propriedade de toda a Igreja e não pode ser escamoteada ao gosto de cada um.


3- Negação do Pecado: Quase não se fala mais em pecado. É politicamente incorreto falar de pecado. Hoje o psicologismo isenta a todos de culpa. Torna-se necessário formar as consciências. Não se fala mais de morte, juízo, inferno, paraíso, apesar de o Catecismo da Igreja o ensinar.


4- Nivelar a Teologia a uma Ciência da Religião. A Teologia é a fé iluminada pela razão, a fé que busca compreensão. É ciência, mas supõe a fé. A Ciência da Religião estuda a religião como busca de sentido, mas sem a exigência da fé. É a fé fechada no subjetivismo, a doutrina sem mistério, o gnosticismo, uma das piores ideologias, como alerta o Papa Francisco (cf. GE n. 40).


5- Tentação de separar a fé da oração e do agir: vida de oração, espiritualidade, liturgia, que não podem ser vistos como realidades ultrapassadas, mas partes integrantes da vida eclesial. A Igreja deve crer o que reza e praticar o que crê. E o que se deve crer está explícito.


6- A fé permeada apenas pelo emocional-afetivo e o folclórico. Há que se perguntar até que ponto o desejo de satisfazer e acolher nos leva a passar por cima de verdades irrenunciáveis, nos faz banalizar a Eucaristia em celebrações que fogem até mesmo ao decoro litúrgico, etc.


7- Confiança excessiva na ação humana sem levar em conta o primado da graça de Deus. Pelagianismo, denunciado pelo Papa Francisco (cf. GE nn. 47-48), que leva a atribuir tudo ao esforço pessoal e à vontade própria. Daí vem o mundanismo. A opção pelos pobres deve ser fruto da fé cristológica, e não apenas de uma indignação ética, diante da miséria, como se fosse uma ideologia.


Enfim, devemos nos perguntar se a evasão de fiéis para outras denominações, além de todos os motivos já elencados e sabidos, não é provocada também pela insegurança doutrinal, que leva cada um a crer no que convém, fazendo como que um self-service dos conteúdos da fé.

Dom José Mário S. Angonese

Bispo Diocesano



 
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