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Servir por amor

A humanidade, em sua história, já enfrentou e superou muitas pandemias. Nestas ocasiões sempre se exigiu e se esperou muito das categorias que trabalham na área da saúde. E, precisamente nestes momentos, surgiram testemunhos heroicos de grandes homens e mulheres que fizeram da vida um sacerdócio a serviço dos infectados. Muitos acabam morrendo em decorrência do seu trabalho.


Propomos a reflexão sobre São Camilo de Lellis, que foi um abnegado enfermeiro nos hospitais de Roma. Esse santo nasceu, em 1550, no Abruzo, Itália. Aos 17 anos, com a morte dos pais, viu-se sozinho no mundo, sem dinheiro e doente. Foi recolhido num hospital de caridade em Roma. Como não tinha dinheiro para fazer o tratamento, ofereceu-se para trabalhar como servente e conseguiu trocar sua força de trabalho pelos cuidados médicos. Porém, além de uma ferida no pé, ele tinha outra doença na alma: o vício do jogo. Por afundar-se no jogo, nas dívidas e em confusões, ele acabou demitido.

 

Mais tarde, já um rude militar convertido e livre do vício, Camilo assume o ofício de enfermeiro com o espírito bem diferente do homem viciado no jogo. Agora, vê em cada doente a imagem de Cristo sofredor. Sua preferência era em favor dos incuráveis, dos repelidos por todos por causa do cheiro insuportável. A todos servia com desvelo e carinho de mãe. Costumava dizer aos doentes: “Não quero que me digam ‘por favor’; ordenai-me, pois vós sois meus senhores!” 

 

Durante o Ano Santo de 1575, a peste e a fome encheram os hospitais de Roma de romeiros doentes. Camilo conseguiu conquistar outros jovens ao seu ideal, com os quais atendia com amor os atacados pela doença. Neste tempo amadureceu nele a vocação para o sacerdócio, para que pudesse atender também espiritualmente aos doentes. 

 

Com muito esforço conseguiu completar os estudos e foi ordenado padre aos 34 anos de idade.  Iniciou uma comunidade de religiosos, que chamou “Ministros dos enfermos”. Estes religiosos deviam emitir um quarto voto: o de cuidar dos infectados mesmo com perigo da própria vida.

 

Por mais de trinta anos, os hospitais de Roma viram Camilo como bom samaritano doar-se, dia e noite, ao serviço gratuito de todo tipo de doentes. Purificado ele próprio pelo sofrimento, faleceu em Roma no dia 14 de julho de 1614. Suas últimas palavras foram as que costumava repetir aos moribundos: “Que a face de Cristo se mostre amável e alegre para ti”. 


A Igreja declarou São Camilo de Lellis patrono dos enfermos e dos hospitais, juntamente com São João de Deus, outro herói da caridade.


O testemunho dos santos e santas sempre são inspiração para nossa vida, e ainda mais em tempos difíceis e sem clareza quanto ao futuro. Apegar-se aos valores eternos é certeza de não ser confundido. A santidade não exige grandes atos heroicos, simplesmente fazer bem e com amor cada pequeno gesto em favor dos outros, sobretudo dos desesperançados. 


Nosso reconhecimento e respeito a todos os profissionais da saúde, que alegremente fazem da vida o dom de servir com o mesmo amor com que Deus nos ama.

 
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