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Santíssima Trindade, a melhor comunidade

No domingo depois da festa de Pentecostes, celebramos a festa da Santíssima Trindade. Uma festa para silenciar, contemplar e louvar o mistério do Deus de Jesus Cristo, que é Uno na comunhão de três Pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo. Deus que, por Amor, envia seu Filho para difundir gratuitamente seu plano de salvação à humanidade. 


São Paulo, quando se dirige à comunidade de Corinto, assim se expressa: “A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo estejam com todos vós” (2 Cor 13,13). Esta saudação é fruto da sua experiência pessoal do amor de Deus, daquele amor que Cristo lhe revelou e que transformou a sua vida de perseguidor a evangelizador. Como afirma o Papa Francisco: “A partir daquela sua experiência de graça, Paulo pode exortar os cristãos com estas palavras: «regozijai-vos, sede perfeitos, consolai-vos uns aos outros, [...] vivei em paz». A comunidade cristã, mesmo com todos os limites humanos, pode tornar-se um reflexo da comunhão da Trindade, da sua bondade, da sua beleza”. 


Deus que se revelou Trindade, a comunidade perfeita, desde sempre escolheu caminhar com a humanidade e formar um povo, que fosse bênção para todas as nações e para cada pessoa, sem excluir ninguém. O cristão não é uma pessoa isolada, pertence a um povo, a uma comunidade. Não se pode ser cristão pleno sem estar vinculado a uma comunidade e a esta desenvolver o sentimento de pertença e comunhão. Nós formamos a família dos filhos de Deus: em comunidade somos o povo de Deus. 


Sempre houve o desejo do homem de entender o mistério da Trindade. Conta a história que, em certa ocasião, Santo Agostinho caminhava pela praia, pensativo de como entender o mistério da Santíssima Trindade, quando observou uma criança que fazia um buraco na areia. O santo perguntou ao menino o que pretendia fazer e ele respondeu que queria colocar toda a água do mar naquele buraco.


Santo Agostinho, admirado, disse: “Mas você não percebe que é impossível?” O menino teria respondido: “É mais possível colocar toda a água do mar neste buraco do que tentar colocar o mistério da Trindade em sua cabeça”.


Mesmo sem compreender a totalidade de um mistério infinito, entendemos que Deus se fez comunidade e nos quer comunidade. Neste tempo de pandemia, sentimos ainda mais a necessidade e a importância de viver em família e em comunidade. Não existe felicidade fora da família e longe da comunidade.


Portanto, não acreditemos que nosso Deus seja distante e indiferente para com a humanidade. Ao contrário, Ele está perto, dentro de nós, e no seu Amor criou o universo e gerou um povo, se fez carne, morreu e ressuscitou por nós, para que aprendamos, com a ajuda do Espírito Santo, que a felicidade se encontra na plenitude das relações de amor.


A Virgem Maria nos ajude a cumprir com alegria a missão de testemunhar ao mundo, sedento de amor, que o sentido da vida é precisamente o amor infinito, o amor concreto do Pai, do Filho e do Espírito Santo.


Dom José Mário Angonese

Bispo de Uruguaiana


 
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