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Políticas públicas: “resolução de problemas”

Há cinquenta e seis anos os bispos da Igreja Católica no Brasil escolheram a Campanha da Fraternidade (CF) como parte integrante dos exercícios quaresmais. E, ao longo deste tempo, muitos e bons frutos resultaram desta Campanha. Frutos de conversão pessoal e social. Neste ano, o grito por conversão está voltado para as políticas públicas:  o jejum que Deus prefere, ou seja, quebrar as cadeias da injustiça e livrar o oprimido do jugo da opressão, repartir o pão com o faminto, acolher o desabrigado, vestir o que está nu (Is 58,6-7).


Campanhas quaresmais como esta não é são exclusividade do Brasil. A CF brasileira já foi copiada por diversos países. Na Alemanha há uma Campanha, semelhante a esta, chamada de “Misereor”, também no tempo da quaresma, que arrecada doações para financiar projetos sociais em várias partes do mundo. A CF, do mesmo modo, sempre pede um gesto concreto penitencial para financiar projetos sociais.


A CF tem, ao menos, dois sentidos: um sentido penitencial religioso – despertar o espírito cristão da penitência e da conversão do povo de um pecado social que contradiz o Evangelho de Jesus Cristo, por afetarem a vida da maioria da população – e um sentido penitencial social – despertar a consciência para o compromisso cidadão, através de gestos concretos para a resolução desses problemas. O que de fato a Igreja quer com esta CF é que os problemas que a população enfrenta no seu dia-a-dia sejam resolvidos; e que o dinheiro público (nosso) seja aplicado em benefício de todos, especialmente dos mais pobres, nas áreas da saúde, educação, segurança, moradia, emprego, renda, mobilidade, seguridade alimentar, saneamento básico, previdência social e cuidado com a casa comum, entre outras. É missão da Igreja prestar estes serviços à sociedade.


Na Mensagem para a abertura da CF-2019, o Papa Francisco chama a atenção para o fato de que falar de “Políticas Públicas” não é falar de política partidária ou de “eleições”, mas significa se referir a um conjunto de ações a serem implementadas pelos gestores públicos, com vistas a promover o bem comum, na perspectiva dos mais pobres da sociedade. Para Francisco, os cristãos devem buscar a participação mais ativa na sociedade como forma concreta de amor ao próximo, que permita a construção de uma cultura fraterna baseada no direito e na justiça.


Na atual conjuntura brasileira, o que mais se teme são as ameaças às políticas públicas, por corrupção ou por ideologia. Pairam no ar incertezas com relação às conquistas sociais para os mais pobres. Mas, há também sinais de esperança, sobretudo, quando a Igreja defende valores, tais como, a fraternidade, a comunhão e a solidariedade e a ecologia integral. Por isto, convidamos a todos a vestir a camisa da CF-2019. “Política Pública não é somente a ação do governo, mas também a relação entre as instituições e os diversos atores, envolvidos na solução de determinados problemas” (Texto-Base da CF-2019, 21).


Dom José Mário S. Angonese

Bispo Diocesano


 
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