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Pequenas comunidades

Na oitava da Páscoa, ainda no clima da celebração pascal, mesmo neste tempo de pandemia do coronavírus, vivamos com alegria, a presença do Cristo ressuscitado que continua a nos dizer: “‘A paz esteja com vocês. Assim como o Pai me enviou, eu também envio vocês.’ Tendo falado isso, Jesus soprou sobre eles, dizendo: ‘Recebam o Espírito Santo. Os pecados daqueles que vocês perdoarem, serão perdoados. Os pecados daqueles que vocês não perdoarem, não serão perdoados” (Jo 20,21-23).


No dia da Ressurreição nasce uma nova comunidade que, com a Presença de Jesus Ressuscitado, transforma discípulos medrosos e fechados em missionários audazes e corajosos, testemunhas de uma experiência que lhes mudou a vida. Recebem uma ajuda dos céus, o Espírito Santo, e com este, o poder de servir a todos e todas para que o amor generoso e gratuito do Pai, através de Jesus, continue libertando e gerando vida nova neste mundo. 


Vivemos tempos de mudanças profundas em nossas relações, houve uma descristianização da sociedade. Aquela que fora uma alvissareira notícia, agora passa despercebida por muitos que ainda se dizem cristãos. Uma velha e sábia regra de ouro diz que em tempos de mudança se volta às origens.


Para redescobrir o vigor da sempre jovem Ressurreição de Jesus voltemos às origens: primeiros séculos do tempo de Nosso Senhor. Os cristãos se reuniam em pequenas comunidades e faziam memória de suas experiências religiosas. E assim, era passada a cultura religiosa para os filhos. E os filhos, bebiam da mesma fonte, com igual intensidade. E continuavam a reunir-se em torno da Palavra de Deus. E a fé no Ressuscitado e na Ressurreição os fortalecia sempre mais.


Olhando todos esses fatos, nossa Igreja, através da CNBB, orienta que as pequenas comunidades missionárias são a chave para redescobrir a força do Ressuscitado entre nós. As Diretrizes assim se expressam: “A casa permitiu que o cristianismo primitivo se organizasse em comunidades pequenas, com poucas pessoas, que se conheciam e compartilhavam a mesa da refeição cotidiana. Pela partilha da mesa com todos os batizados se estabelecia um novo estilo de vida, marcado pelo seguimento de Jesus Cristo. A hospitalidade era aberta também a pecadores e pagãos” (DGAE 2019-2023, n. 80). A Igreja nas casas garantia um senso de pertença à família de Deus (cf. Mc 3,31-35) e já não importava mais ser grego ou judeu, escravo ou livre, mas somente ser de Cristo (cf. Cl 3,11; Gl 3,28).


Nos alegramos com todos os que descobriram a maravilha de seguir Jesus nas pequenas comunidades. É o jeito mais aperfeiçoado de viver a fé cristã em nossos dias. Parabéns aos que fazem a experiência de encontrar o Senhor vivo e Ressuscitado nas pequenas comunidades de fé. Este, é caminho da fé adulta, resultado de uma Igreja autêntica. Que a força do Ressuscitado abençoe largamente todas as famílias que participam das pequenas comunidades eclesiais de fé.


Dom José Mário Angonese
Bispo de Uruguaiana

 
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