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Pedras! Para quê?

Vejamos o método de Deus diante do pecado humano. No domingo passado, com a Parábola do Filho Pródigo, Jesus mostrou o amor misericordioso de Deus. No último domingo da Quaresma, temos a comovente cena da vida de Jesus, diante de uma Mulher Pecadora. "Quem não tiver pecado, atire a primeira pedra..."(Jo 8,1-11)

"Um famoso senhor com poder de decisão, gritou com um diretor da sua empresa, porque estava com ódio naquele momento. O diretor, chegando em casa, gritou com sua esposa, acusando-a de que estava gastando demais, porque havia um bom e farto almoço à mesa. Sua esposa gritou com a empregada que quebrou um prato. A empregada chutou o cachorrinho no qual tropeçara. O cachorrinho saiu correndo, e mordeu uma senhora que ia passando pela rua, porque estava atrapalhando sua saída pelo portão. Essa senhora foi à farmácia para tomar vacina e fazer um curativo, e gritou com o farmacêutico, porque a vacina doeu ao ser-lhe aplicada. O farmacêutico, chegando à casa, gritou com sua mãe, porque o jantar não estava do seu agrado.

Sua mãe, tolerante, um manancial de amor e perdão, afagou-lhe seus cabelos e beijou-o na testa, dizendo-lhe: "Filho querido, prometo-lhe que amanhã farei os seus doces favoritos. Você trabalha muito, está cansado e precisa de uma boa noite de sono. Vou trocar os lençóis da sua cama por outros bem limpinhos e cheirosos para que você descanse em paz. Amanhã você vai sentir-se melhor."; E abençoou-o, retirando-se e deixando-o sozinho com os seus pensamentos. Naquele momento, rompeu-se o círculo do ódio, porque esbarrou-se com a tolerância, a doçura, o perdão e o amor: com a MISERICÓRDIA."; (Autor desconhecido)

O problema do mal e do pecado não se resolve com o castigo e a intolerância, mas pelo amor e a misericórdia. O método de Deus é o amor a misericórdia. Coloca o coração na miséria do pecador. O coração misericordioso de Jesus e da mãe (da nossa história) cortaram o ciclo da violência. Em nossas famílias e comunidades, ainda usamos pedras?

O Coração Mais Belo
Conta a lenda que um jovem estava no centro da cidade, proclamando ter o coração mais belo da região. Uma multidão o cercou e todos admiraram o seu coração. Não havia marca ou qualquer outro defeito. Todos concordaram que aquele era o coração mais belo que já tinham visto e o jovem continuou muito orgulhoso por seu belo coração até que de repente, um velho apareceu diante da multidão e disse: - Por que o coração do jovem não é tão bonito quanto o meu? A multidão e o jovem olharam para o coração do velho, que estava batendo com vigor, mas tinha muitas cicatrizes. Havia locais em que pedaços tinham sido removidos e outros tinham sido colocados no lugar, mas estes não encaixavam direito, causando muitas irregularidades.

Em alguns pontos do coração, faltavam pedaços. O jovem olhou para o coração do velho e disse: - O senhor deve estar brincando... compare nossos corações. O meu está perfeito, intacto e o seu é uma mistura de cicatrizes e buracos! - Sim, disse o velho. - Olhando, o seu coração parece perfeito, mas eu não trocaria o meu pelo seu. Veja, cada cicatriz representa uma pessoa para a qual eu dei o meu amor. Tirei um pedaço do meu coração e dei para cada uma dessas pessoas. Muitas delas deram-me também um pedaço do próprio coração para que eu colocasse no meu, mas, como os pedaços não eram exatamente iguais, há irregularidades. Mas eu as estimo, porque me fazem lembrar do amor que compartilhamos. E cheio de emoção falou: - Algumas vezes, dei pedaços do meu coração a quem não me retribuiu, por isso, há buracos. Eles doem. Ficam abertos, lembrando-me do amor que senti por essas pessoas... Um dia espero que elas retribuam, preenchendo esse vazio.

Silenciou um pouco e perguntou: - E aí, jovem? Agora você entende o que é a verdadeira beleza? O jovem ficou calado e lágrimas escorriam pelo seu rosto. Ele aproximou-se do velho. Tirou um pedaço de seu perfeito e jovem coração e ofereceu ao velho, que retribuiu o gesto. O jovem olhou para o seu coração, não mais perfeito como antes, mas mais belo que nunca. Os dois se abraçaram e saíram caminhando lado a lado e o jovem ficou pensando: "Como deve ser triste passar a vida com o coração"

Dom José Mário S. Angonese

Bispo Diocesano

 
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