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Pandemia, e depois?

Estamos vivendo o tempo difícil da pandemia do novo coronavírus (COVID-19). Papa Francisco, na Praça de São Pedro vazia, expressou bem: “Densas trevas cobriram as nossas praças, ruas e cidades; apoderaram-se das nossas vidas, enchendo tudo dum silêncio ensurdecedor e um vazio desolador, que paralisa tudo à sua passagem: pressente-se no ar, nota-se nos gestos, dizem-no os olhares. Revemo-nos temerosos e perdidos”. 


Este tempo grave de pandemia fechou as portas de nossas igrejas; mas a Igreja não está fechada, ela continua atendendo e alimentando seus filhos e filhas através da oração, da Palavra, das celebrações transmitidas pelas TVs católicas, rádios e mídias sociais, continua assistindo aos pobres e mais necessitados pela caridade e criando redes de solidariedade. É preciso, cuidar da própria vida e da vida do próximo, como pregamos na Campanha da Fraternidade 2020: “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele” (Lc 10,33-34). 


Sentimo-nos impelidos a refletir sobre este processo de volta. Como será depois da pandemia? 


Durante a pandemia usamos os meios de comunicação para a evangelização, para reuniões, trabalhos, aulas, missas etc., tudo on-line. Descobrimos uma nova forma de fazermo-nos presentes nas casas, nas famílias e na vida das pessoas. E as pessoas descobriram este novo modo de presença, de participação na vida da comunidade. A PASCOM (Pastoral da Comunicação) tornou-se uma pastoral fundamental na vida das Dioceses, Paróquias e Comunidades. Com o tempo, nossas celebrações, voltarão a ser presenciais. Nossa Igreja, desde o Novo Testamento, reúne-se em assembleia litúrgica, a cada domingo, para celebrar a memória da morte e ressurreição do Senhor, a Eucaristia. A própria assembleia reunida é sinal da presença do ressuscitado (Mt 18,20). Não há oposição entre a assembleia litúrgica presencial e a transmissão virtual, pois existe uma absoluta primazia do presencial. O Papa Francisco destacou a importância dessa primazia, alertando recentemente que a necessidade momentânea de formar comunidade somente pelos meios de comunicação, por causa do distanciamento social, não pode nos levar a virtualizar a Igreja e os sacramentos. Será preciso retornar para a experiência concreta de comunidade.


Contudo, o uso das mídias sociais deverá continuar e será um grande elemento da presença da Igreja na evangelização, na oração e na promoção da caridade e da solidariedade. Muitas pessoas não despertaram para a importância de viver e partilhar a fé em comunidade, quem sabe, vendo, depois desta pandemia, a autenticidade e vivacidade de nossas comunidades se entusiasmem por viver da mesma maneira. 


Temos ouvido dizer que nada voltará a ser como antes; de fato, nada voltará, mas me inclino a acreditar que, depois desta experiência, tudo será melhor. Bem melhor! Uma coisa, porém, é certa, a vitalidade de uma religião, de uma igreja, gira em torno da comunidade, como espaço de partilha de vida, de sonhos e de esperanças. Nosso futuro dependerá de cada um de nós. 


O Papa Francisco nos pede: “não deixemos que nos roubem a esperança!” (EG 86). O anúncio de Jesus Cristo tem que ser portador de Esperança. A Esperança Cristã se fundamenta na memória de Cristo. A ressurreição de Cristo nos diz que Ele não se encontra mais entre os mortos, mas está vivo. Como aos discípulos de Emaús, Ele caminha conosco (Lc 24,13-35), não estamos sozinhos na história e na labuta diária da vida. (Fonte: Análise de Conjuntura, CNBB, maio 2020)


Dom José Mário Angonese

Bispo de Uruguaiana


 
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