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Mensagem da CNBB ao povo brasileiro - Parte II

No último mês de maio, de 1º a 10 a Conferência dos Bispos do Brasil esteve reunida e elaborou uma mensagem ao povo brasileiro que agora transcrevo. A mensagem foi dividida em duas partes, agora transcrevo a segunda parte: 


7. A violência também atinge níveis insuportáveis. Aos nossos ouvidos de pastores chega o choro das mães que enterram seus filhos jovens assassinados e de todas as vítimas de um sistema que instrumentaliza e desumaniza as pessoas, dominadas pela indiferença. O verdadeiro discípulo de Jesus terá sempre no amor, no diálogo e na reconciliação a via mais eficaz para responder à violência, inspirado no mandamento “Não matarás”. 


8. Precisamos ser uma nação de irmãos, eliminando qualquer tipo de discriminação, preconceito e ódio. Somos responsáveis uns pelos outros. Assim, quando os povos originários não são respeitados em seus direitos e costumes, neles o Cristo é desrespeitado: “Todas as vezes que deixastes de fazer isso a um destes mais pequeninos, foi a mim que o deixastes de fazer” (Mt 25,45). É grave a ameaça aos direitos dos povos indígenas assegurados na Constituição de 1988. O poder político e econômico não pode se sobrepor a esses direitos sob o risco de violação da Constituição. A mercantilização das terras indígenas e quilombolas nasce do desejo desenfreado de quem ambiciona acumular riquezas. Nesse contexto, tanto a atividade mineradora quanto o agronegócio precisam rever seus conceitos de desenvolvimento, de progresso e de crescimento. Uma economia que coloca o lucro acima da pessoa, que produz exclusão e desigualdade social, é uma economia que mata, como nos alerta o Papa Francisco (EG 53). 


9. As mudanças reclamadas pelo sistema, quando necessárias, só se legitimam em vista do bem comum, se feitas com participação popular de forma a atender, em primeiro lugar, os pobres, “juízes da vida democrática de uma nação” (Exigências éticas da ordem democrática, CNBB - Doc. 42, n. 72). (...)


“Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e sua justiça” (Mt 6,33) 

10. O Brasil que queremos emergirá do comprometimento de todos os brasileiros com os valores que bebem na fonte do Evangelho, da justiça e do amor. Queremos uma sociedade cujo desenvolvimento promova a democracia, preze conjuntamente a liberdade e a igualdade, respeite as diferenças, incentive a participação da juventude, valorize os idosos, ame e sirva os pobres e excluídos, promova e defenda a vida em todas as suas formas e expressões, incluído o respeito à natureza, na perspectiva de uma ecologia humana e integral. 


11. Todos temos compromisso com a construção de uma sociedade desenvolvida, justa e fraterna, lembrados de que “o desenvolvimento tem necessidade de cristãos com os braços levantados para Deus em atitude de oração, cristãos movidos pela consciência de que o amor cheio de verdade - caritas in veritate -, do qual procede o desenvolvimento autêntico, não o produzimos nós, mas nos é dado” (Bento XVI, Caritas in veritate, 79). O caminho pode ser longo e exigente, contudo, não nos esqueçamos de que “Deus nos dá a força de lutar e sofrer por amor do bem comum, porque Ele é o nosso Tudo, a nossa esperança maior” (Bento XVI, Caritas in veritate, 78). 


12. A Virgem Maria, testemunha da Ressurreição de seu divino Filho, nos alcance a perseverança no caminho do amor, da justiça e da paz. 


Dom José Mário S. Angonese

Bispo Diocesano

 
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