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Felicidade, um jeito de viver

Encontramos, diariamente, muitas orientações de como encontrar a felicidade. Anúncios de todos os tipos: carro, casa, moda... quase todos na linha dos bens materiais. Jesus no Sermão da Planície tem outra proposta: as bem-aventuranças.


No Evangelho de Lucas, encontramos quatro bem-aventuranças e, logo após, quatro “ai de vós”. Jesus fala aos discípulos e à multidão das injustiças que geram: sofrimento, pobreza, fome, choro; e, por outro lado, riqueza, fartura, riso... Jesus continua hoje proclamando felizes os pobres e famintos. Em um mundo onde o prazer é geralmente buscado a todo custo, Jesus continua a exaltar os que choram e são perseguidos.


As bem-aventuranças manifestam o que Jesus falou no início da sua atividade na sinagoga de Nazaré: Ele é enviado pelo Pai ao mundo, com a missão de libertar os oprimidos. Jesus diz que Deus os ama de uma forma especial e que quer oferecer-lhes a vida plena. Por isso, eles são “bem-aventurados”.


As “maldições” (ou os quatro “ais”) aos ricos são o outro lado da moeda. Denunciam a lógica dos opressores, dos instalados, dos poderosos, dos que pisam os outros, dos que têm o coração cheio de orgulho e não estão disponíveis para acolher a novidade do “Reino”, com um forte apelo à solidariedade. As advertências aos ricos não significam que Deus não tenha para eles a mesma proposta de salvação que apresenta aos pobres e débeis; mas significam que, se eles persistirem na lógica de egoísmo, de prepotência, de injustiça, de autossuficiência, não tem lugar para eles no “Reino” que Jesus veio instaurar.


Se olharmos as últimas tragédias no Brasil com centenas de mortos, fica claro que os gestores da morte, para ter o máximo de lucros com o mínimo de investimentos, subjugam a vida humana e do meio ambiente. Entendemos melhor as bem-aventuranças e os “ai de vós” de Jesus, quando olhamos para o mundo e vemos que a riqueza de poucos custa a miséria e a morte de tanta gente.


Ao proclamar felizes os pobres, Jesus está mostrando como é a dinâmica do Reino de Deus, que é inversa ao Reino do mundo. Jesus não está propondo o conformismo diante do sofrimento na vida presente em vista da felicidade após a morte. O Reino acontece com ações e atitudes concretas de quem está despojado de tudo, de quem tem Deus como único defensor. Os que já têm aqui e agora sua recompensa, e vivem indiferentes à fome e à miséria do mundo, põem-se automaticamente fora da dinâmica do Reino. É para estes Jesus dirige os “ai de vós”.


O mundo desejado por Deus, que Jesus veio inaugurar, continua sendo criado com nosso compromisso de discípulos. Trata-se de um jeito de pensar, querer, ser e viver. Um mundo sem miséria, sem fome, sem choro e sem perseguição. Nossa felicidade se mede pela luta em favor dos mais necessitados, sem segundas intenções, sem esperar recompensa.


Dom José Mário S. Angonese

 
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