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Entrevista com Pe. Ilário Flach que assessorou a Assembleia Diocesana no início de novembro

Diocese: Na 34ª Assembleia Diocesana de Pastoral da nossa Diocese o tema central foram as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora 2019-2023. Como o senhor analisa estas novas diretrizes?

Pe. Ilário: Vejo essas Diretrizes em linha de continuidade  com as diretrizes anteriores e com as orientações e pronunciamentos do Magistério da Igreja. Buscam a aplicação do Documento de Aparecida e do Documento 100 da CNBB. Percebo que aparece mais claramente a questão da cultura urbana e seus desafios e oportunidades para a Evangelização. Destaco a proposta concreta de renovar a experiência comunitária, através das Comunidades Eclesiais Missionárias, como forma de realizar a evangelização no mundo urbano. Essa é a conversão pastoral para a qual a Igreja é chamada.

Diocese: O que a Igreja no Brasil pretende ao falar na importância de "comunidades eclesiais missionárias"?

Pe. Ilário: Pretende reconfigurar a organização da Igreja em pequenas comunidades, tendo como modelo as primeiras comunidades cristãs retratadas no segundo capítulo de Atos dos Apóstolos. Essas comunidade oferecem um ambiente propício para a uma intensa vivência da fé, sustentada nos quatro pilares: da Palavra; do Pão, da Caridade e da Ação Missionária. São espaços de convivência humana, mas também da fé.

Diocese: Quais os principais desafios para Evangelizar que a Igreja Católica enfrenta hoje? 

Pe. Ilário: Penso que entre os principais desafios está fazer a passagem de um catolicismo tradicional que se firmou em tempos de Cristandade, para um catolicismo discipular onde, mais do que membros da Igreja, procuremos ser e fazer discípulos de Jesus. Juntamente com isso, superar formas antigas e novas de clericalismo, respeitando e priorizando o protagonismo dos leigos, principalmente das mulheres,  como a grande força evangelizadora da Igreja em Comunidades Eclesiais Missionárias.

Diocese: Como o senhor vê o advento da tecnologia, o uso em massa das mídias sociais e a Evangelização?

Pe. Ilário: Em primeiro lugar, vejo a tecnologia como algo moralmente neutro, ela não é nem boa nem ruim, depende de quem a usa. Assim, serve tanto para divulgar fake news como o Evangelho. Em segundo lugar, ela é fascinante, principalmente para os mais jovens, que conseguem ser mais familiares ao seu uso. Em terceiro lugar, diria que ela não é suficiente, pois presta-se para a transmissão de informação, mas não transmite empatia nem espiritualidade. Por isso, além da tecnologia, precisamos de comunidade. Quando uma curtida não resolve, um abraço pode fazer muito bem.

Diocese: Deixe uma mensagem para as lideranças de nossa Diocese.

Pe. Ilário: Com o olhar nas atuais diretrizes, diria: invistam na comunidade e na missão. São as duas faces da mesma moeda com as quais se evangeliza...

 
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