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Em clima de Sínodo da Amazônia Frei Raphael conta sua experiência de missão em meio aos índios.

Frei Raphael Rodrigues, carmelita descalço, padre há  9 anos, logo que foi ordenado trabalhou numa paróquia missionária no extremo norte do Mato Grosso. O que chamou atenção em um primeiro momento foram as enormes distâncias. A sede da diocese era Sinop, cerca de 600 km da paróquia aonde estava, então as reuniões, formações e encontros com o Bispo aconteciam após difíceis viagens.

Os Carmelitas atendiam cerca de 80 comunidades, em duas cidades: Apiacás e Nova Monte Verde, uma região missionária que contava há 20 anos com a presença dos Freis Carmelitas. Frei Raphael comenta que ficou pouco mais de três anos nessa região, até que por intermédio do Bispo de Itaituba, o Carmelita Dom Wilmar Santin, ficaram sabendo da desafiante realidade do Pará, sofrendo com a falta de padres e falta de atendimento ao povo, e que existia uma cidade que estava sem padre, chamada Jacareacanga.

Surgiu então a proposta de se mudarem para esta região missionária. Os freis entregariam para a diocese as paróquias do Mato Grosso, melhor provida de padres, e assumiriam a região da cidade de Jacareacanga, no Pará. Aprovada a proposta, foram em mudança ao Pará, o Frei Raphael e Frei Marcos Juchem Júnior, o atual provincial dos Carmelitas.

Frei Marcos trabalhava na época no governo geral dos Carmelitas em Roma. De Roma foi ao Pará comer Tapioca e morar entre os índios Munduruku, mostrando que a grandeza do religioso é estar à serviço, não importa aonde.

Era o ano de 2011 e após atravessarem o rio Tapajós, chegaram à cidade de Jacareacanga, no Pará, "umas das mais desafiantes que já presenciei", afirma Frei Raphael. A cidade tinha cerca de 40 mil habitantes, e estava aproximadamente 7 anos sem padre. A igreja católica contava com muito pouca expressão naquela região. "Acostumados ao Mato grosso, com grandes e cheios templos, percebíamos que ali se iniciava um longo e árduo trabalho", destaca o frei carmelita.

A cidade naquele ano contava com mais de 100 aldeias, e cerca de 12 mil índios da tribo Munduruku, que graças a evangelização dos freis franciscanos numa época, eram em maioria católicos, e prezavam muito os sacramentos. Começava então um atendimento às comunidades ribeirinhas, aldeias e garimpos, comunidades bem diferentes que as do sul que os freis conheciam e do Mato Grosso, onde estavam antes de chegarem na região indígena. 

Frei Raphael relata os desafios, ao dizer que dentro mesmo da Amazônia, era natural longas viagens de barco, dificuldade com alimentação e calor intenso. "Chegava- se a ficar 15 dias fora de casa, dormindo onde dava, escolas, centros comunitários, barracões, sempre na rede", comenta. De uma comunidade iam para outra, voltando para casa somente depois de terminar de visitar toda a região.

Saltava aos olhos o número de batizados, 50 ou 60 por aldeia. Os franciscanos evangelizaram o Rio Tapajós há mais de 100 anos, os frutos são visíveis, pois a fé católica é presente na maioria das comunidades. O sacerdote é muito bem quisto e querido por todos, inclusive dentro dos garimpos, que tem sempre seu padroeiro, e realizam grandes festas.

Percebe-se quão desafiante é a evangelização na Amazônia, explorada em suas riquezas naturais, em especial pelo garimpo, lugar de grande degradação humana, marcada pela prostituição e violência. As distâncias são outro desafio como comentou o frei, e as comunidades tinham missa cerca de duas vezes por ano, geralmente por ocasião da festa de seu padroeiro.

Hoje Frei Raphael realiza sua missão em Uruguaiana, e já vive o terceiro ano como pároco da Paróquia Nossa Senhora do Carmo, realidade bem diferente da que viveu durante 6 anos na Amazônia. Atualmente, os Freis Carmelitas mantêm presença na área missionária de Jacareacanga, no Pará e contam com o apoio financeiro das paróquias e da província, mas em especial a oração pela Missão.

Confira as fotos clicando aqui.

 
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