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Comunidade de Fé e Igreja Doméstica

A história nos tem ensinado que depois de guerras, de pandemias e de grandes crises, sempre surge a questão do sentido da vida. Por que viemos a este mundo? Por que o sofrimento? O que faz o coração humano feliz? Na busca destas respostas aflora a procura pelo elemento religioso. A Pandemia pode assim, ser um elemento despertador da dimensão religiosa e da busca de Deus. 


Nas situações de doença, diante da iminência da morte, nas situações limites da vida, coloca-se sempre o problema do sentido da existência, da totalidade de sentido da vida em si, mas sobretudo da vida humana. Em cada ser humano há uma busca de sentido, há um projeto de sentido da vida. Ao perguntar-se pelo sentido da vida o ser humano chega ao divino e à salvação da própria existência. A religião deve ser portadora de sentido e de esperança à existência humana. É imprescindível que a luz da fé ilumine os caminhos a serem trilhados no pós-pandemia. 


A Igreja deve estar preparada para acolher as pessoas fragilizadas não como uma alfândega cheia de exigências e fardos pesados (EG 47), mas como uma mãe misericordiosa conduzindo as pessoas ao encontro com a pessoa de Jesus Cristo e integrando-as na comunidade de fé. A experiência de finitude e impotência poderá auxiliar a revermos nossa condição humana dependente de Deus. 


Os santos místicos nos recordam que “tudo passa e só Deus basta”, mas é preciso aceitar as noites escuras sem perder a esperança. 


Em meio a esta pandemia, houve a redescoberta da “Igreja doméstica” (LG 11), este belo conceito de São Paulo VI. A família reaprendeu a estar junta, a rezar unida, a compartilhar a vida, a existência etc. Papa Francisco propôs para o mês de maio de 2020 a oração do terço. Que bonito seria, se a família, unida e reunida, pudesse rezar o terço. Aqui sim, teríamos o exercício genuíno da função batismal do pai e da mãe de família, que, com este simples e lindo gesto, estariam animando e alimentando a oração e a vida espiritual de sua família, de sua “Igreja doméstica”.


As Diretrizes da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil 2019-2023 podem impulsionar o valor das Comunidades Eclesiais Missionárias e da Igreja Doméstica em tempos de revisão de ação pastoral pós-pandemia. Neste período em que afloram os dramas humanos pode levar a um crescimento do número de separações de matrimônios, aumento da violência familiar que vitima as mulheres, crianças e idosos. Também esta realidade exigirá a presença da Igreja, como uma mãe misericordiosa, para ajudar a sarar feridas e corações machucados (Is 61,1). 


Na busca pelo endereço último da existência e aguçados pelos efeitos da pandemia, sentimos que é tempo de regresso ao essencial, para cuidar das fraquezas e dificuldades dos nossos irmãos. A Igreja deve ser portadora da grande Esperança que nasce da fé, tanto para o nosso amado povo, também em sua Igreja Doméstica, como para a vida da sociedade inteira. No entanto, o PERDÃO é uma força que ressuscita para nova vida, que certamente surgirá no pós-pandemia e infundirá a coragem para olhar o futuro com ESPERANÇA. (Fonte: Análise de Conjuntura, CNBB, maio 2020)


Dom José Mário Scalon Angonese
Bispo de Uruguaiana

 
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