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Apresentação do Senhor

A liturgia do domingo, dia 2 de fevereiro, é o ponto culminante do Natal de Jesus, porque indica o modo como se deu a encarnação do Filho de Deus e a que ela se destina. Cristo assumiu todos os condicionamentos da humanidade – exceto o pecado –, até mesmo se submeteu à lei de Moisés, pela qual era regido o povo ao qual pertenceu. Além do contexto histórico, geográfico e econômico, o evangelho (Lc 2,22-40) mostra que a vida terrestre do “Filho do Deus” (Lc 1,32) estava inserida em um contexto cultural e religioso particular. Também o destaque dado ao tipo de sacrifício realizado por sua família (Lv 5,6-7: um par de rolas ou dois pombinhos, na falta de recursos para um animal maior) manifesta que ele não somente assumiu nossa humanidade, mas se fez pobre entre os pobres.


A Festa da Apresentação do Senhor é bem antiga, e já foi considerada como festa mariana, com o nome de “Purificação de Nossa Senhora”. Mas, a partir das recentes reformas litúrgicas, o nome da festa foi mudado para “Apresentação do Senhor” e ela passou a ser celebrada quarenta dias depois do Natal. Pois o personagem central da festa é Jesus Cristo, que é levado pela primeira vez ao templo de Jerusalém, sagrado ao culto a Deus Pai. O novo título e data da celebração são uma indicação mais correta da natureza e do objeto dessa festa, visto que nesse dia a Igreja celebra um aspecto importante do mistério salvífico, e não simplesmente um acontecimento da infância de Jesus.

 

O relato evangélico descreve como José e Maria apresentaram o Filho ao templo em obediência às prescrições legais do Êxodo 13,12. Pois todo primogênito varão era considerado propriedade do Senhor e devia ser resgatado por uma soma de dinheiro ou um par de pombas oferecidas a título de sacrifício (Nm 18,16). Ao mesmo tempo, Maria pediu a bênção da purificação para se livrar da impureza cultual, contraída por toda mulher por causa do parto (Lv 12,1-8). Nesta ocasião, conforme o profeta Simeão, se deu a primeira revelação sobre a missão de Jesus: “Este Menino será posto para salvação e ruína de muitos e um sinal de contradição (...) Ele será luz para iluminar as nações (...) E uma espada transpassará tua alma” (Lc 2,34-35). Por isso, Maria é considerada corredentora do gênero humano. Essa profecia de Simeão estaria gravada em seu espírito até a ressurreição de Jesus. Por isso, também, ela é a Rainha dos Mártires e, desde a Anunciação, participaria dos sofrimentos de Cristo.

 

Concluindo, a ideia central dessa festa é: José e Maria levam o Menino Jesus ao templo, oferecendo-o a Deus Pai. Como toda a oferta é uma entrega, implica renúncia, a Apresentação do Senhor é já o começo do mistério do sofrimento redentor de Jesus, que atingirá o seu ponto culminante no Calvário. Maria e José unem-se à oferta do seu divino Filho estando a seu lado e colaborando, cada um a seu modo, na obra da Redenção.


Dom José Mário Angonese
Bispo de Uruguaiana

 
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