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Alimentação saudável

Na próxima terça-feira de Carnaval acontecerá, no município de Itacurubi, a 42ª Romaria da Terra. Pela terceira vez acontece na Diocese de Uruguaiana: em 1994, foi em Santo Antônio das Missões; em 2007, em São Francisco de Assis; e agora, em Itacurubi.


A Romaria da Terra é organizada pela CNBB Sul 3, através da Comissão de Pastoral da Terra do RS, onde, por rodízio, a cada ano se escolhe uma diocese. Na Diocese se indica o município; no caso, optamos por Itacurubi, pelo fato de lá existir um Assentamento bem-sucedido, chamado “Conquista da Luta”, com 175 famílias assentadas.


O tema desta Romaria é: “Alimentação saudável – Identidade, Resistência e Direitos”. Um provérbio popular diz que “a saúde ou a doença entra pela boca”. Por isso, diante de um povo tão doente como está o brasileiro, se levanta com muita força a questão da alimentação saudável. Temos em nossas feiras alimentos convencionais e/ou saudáveis. “É chamado convencional o alimento produzido com agrotóxicos e fertilizantes químicos sintéticos, que desde 1960 passou a frequentar cada vez mais as feiras, fruteiras e supermercados” (Texto-base da 42ª Romaria da Terra).


O maior perigo é que as consequências da ingestão de alimentos com estes produtos não aparecem de forma imediata no consumidor. Mesmo que alguns ingredientes ativos dos agrotóxicos sejam classificados como medianos ou pouco tóxicos, não se pode perder de vista os efeitos crônicos que podem ocorrer meses, anos ou até décadas após a exposição, manifestando-se em várias doenças como cânceres, má formação congênita, distúrbios endócrinos, neurológicos e mentais.


Esta Romaria tem como lema: “Para que todos tenham vida”. Jesus veio ao mundo como promotor da vida em todas as suas formas e dimensões: “Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10,10). Ter vida em abundância é um anseio profundo de cada pessoa. Deus é fonte de vida em plenitude que se encontra explicitada em toda a criação. É desejo de Deus que todos tenhamos vida plena. O uso indiscriminado de agrotóxicos e transgênicos para produção de alimentos tem causado o desequilíbrio e a morte de pessoas e da natureza.


A produção de alimentos ecológicos respeita os ecossistemas, resgata a biodiversidade, usa um adequado manejo do solo, fortalece a autonomia das famílias agricultoras e os elos entre os membros das famílias e suas comunidades rurais, promove a soberania alimentar e, ainda, por utilizar resíduos orgânicos para a adubação do solo, diminui o efeito estufa.


No Rio Grande do Sul, ao longo dos anos, as Romarias da Terra têm gerado muita vida; onde, com pequenas propriedades, muitas famílias têm produzido seu pão. O agronegócio continuará a existir. Mas defendemos a alternativa que pequenos agricultores conscientes possam produzir alimentos ecológicos, mesmo sabendo que custa mais caro e é menos apresentável, para oferecer possibilidade de escolha aos consumidores.


Dom José Mário S. Angonese

Bispo Diocesano


 
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