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A força da Cruz

O Evangelho do segundo domingo da Quaresma apresenta-nos a narração da Transfiguração de Jesus (cf. Mt 17,1-9). Ele tomou consigo em particular três apóstolos, Pedro, Tiago e João, subiu com eles a um alto monte, onde transfigurou-se: o rosto de Jesus “brilhou como o sol e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz” (v. 2). E a transfiguração, no monte, é acompanhada pela aparição de Moisés e Elias, “que conversavam com ele” (v. 3).


Com este fato, Jesus quer iluminar as mentes e os corações dos discípulos para que compreendam quem é o seu Mestre. Pois de agora em diante caminhará decididamente para Jerusalém, onde sofrerá a condenação e a morte por crucificação. Jesus quer preparar os discípulos para o escândalo da cruz, demasiado forte para a fé deles. Quer que entendam que mesmo na cruz ele é o Messias, o Filho de Deus. No evento da cruz há uma radical mudança de perspectiva para os discípulos, eles esperavam um rei poderoso e glorioso e Jesus se apresenta como servo, humilde e desarmado. Mas é precisamente através da cruz que Jesus chegará à ressurreição gloriosa, que será definitiva, não como esta transfiguração que durou um momento, um instante. 


Em nossa realidade o sonho da felicidade é projetado como ideal muito alto, inatingível para a grande maioria e, ao se deparar com a realidade, vem a decepção. A Campanha da Fraternidade 2020 alerta que “a automutilação é um fenômeno que tem crescido entre os jovens. Trata-se uma prática de agredir o próprio corpo, que pode acontecer de diferentes formas. Quem provoca tal agressão a si mesmo não busca a dor física pelo prazer de senti-la, o que em si já é problemático. Na maioria dos casos, a automutilação é reflexo de uma incapacidade de lidar com seus próprios sentimentos, como angústias, medos, tristeza e conflitos. Os adolescentes veem nessa prática a saída mais rápida para aliviar esse intenso sofrimento. É uma troca da dor emocional pela dor física (...) O ato também pode ter relação com se punir por alguma atitude, raiva ou com a baixa autoestima” (CF 2020, n. 38).


“No Brasil, em 2016, houve 11.433 mortes por suicídio, ou seja, 31 casos de suicídio por dia. Ainda de acordo com o Ministério da Saúde, o enforcamento aparece como o principal meio de mortes por suicídio, respondendo por 60% dos óbitos. Intoxicação por drogas aparece em segundo, com 18%; arma de fogo é a terceira causa, com 10%; outros meios respondem por 12% dos casos. Os jovens, entre 15 e 29 anos, estão entre as maiores vítimas do suicídio que é considerada a quarta maior causa de morte nessa faixa etária” (CF 2020, n. 40).


Jesus transfigurado no monte Tabor quis mostrar aos seus discípulos a sua glória, não para evitar que eles passassem através da cruz, mas para indicar onde carregar a cruz. Percebamos que a morte de Jesus não termina na Cruz, esta aponta um sentido maior, os nossos sofrimentos se enfrentados com Jesus, com ele ressuscitaremos ou seremos felizes. E a cruz é a porta da ressurreição. Eis a mensagem de esperança que a cruz de Jesus contém, exortando à fortaleza na nossa existência. Que os exercícios da Quaresma nos ajudem a descobrir, em Jesus, a vida plena.


Dom José Mário S. Angonese

Bispo de Uruguaiana


 
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