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A Comunidade, lugar do Ressuscitado

Na Diocese de Uruguaiana já é tradição, no segundo Domingo da Páscoa, a realização do Encontro Diocesano das Comunidades. Este ano aconteceu na Paróquia Imaculada Conceição do Passo, São Borja, no dia 28 de abril.


Esta data é plenamente justificada pelo fato de Jesus Ressuscitado apontar para a vida comunitária. É na comunidade que a fé amadurece e se fazem as melhores experiências de Deus.


No evangelho deste segundo Domingo (Jo 20,19-31), a comunidade dos discípulos de Jesus se encontra numa situação de insegurança e fragilidade, dominada pelo medo (o “anoitecer”, “as portas fechadas”, o “medo”). O evangelista João coloca Jesus “no centro” da comunidade (v. 19); lá “sopra sobre eles” e lhes transmite a vida nova (v. 22), que fará deles homens novos que vencem aquilo que os assustava: a morte, a opressão, a hostilidade do “mundo”. É este Espírito que constitui e anima a comunidade e é no centro da comunidade que o Ressuscitado se manifesta. Quem aceitar sua proposta de vida, será integrado na comunidade; quem a rejeitar, ficará à margem da comunidade de Jesus.


Num segundo momento, deste evangelho, o apóstolo Tomé entra em cena. Ele manifesta-se incrédulo diante do testemunho da comunidade. Tomé representa aqueles que vivem fechados em seu próprio mundo e nos seus interesses; por isso, não percebem os sinais de vida nova presentes na comunidade. Em lugar de se integrar e participar desta experiência, ele exige uma demonstração particular de Deus.


Oito dias depois (v. 26), também num domingo, a comunidade reunida, Tomé estava com eles e Jesus aparece novamente. Então, Tomé acaba por fazer a experiência de Cristo vivo no interior da comunidade. Jesus não se presta para shows particulares, como Tomé exigia. Para encontrar com Jesus Ressuscitado, ele precisou participar da comunidade.


Esta experiência do apóstolo Tomé faz uma alusão clara ao domingo, ao dia em que a comunidade é convocada a proclamar a Palavra e a celebrar a Eucaristia: é no encontro entre irmãos que se descobre Jesus Ressuscitado. A experiência de Tomé continua a repetir-se com os cristãos de todos os tempos. Longe da comunidade não se faz experiência autêntica de Deus.


É constitutivo da vida cristã acolher e praticar a fé em comunidade, na companhia dos outros, compartilhando experiências, ajudando-se mutuamente a caminhar e, deste modo, realizar o mandato missionário. Por isso, o Documento de Aparecida conclui: “Não pode existir vida cristã fora da comunidade: nas famílias, nas paróquias, nas comunidades de vida consagrada, nas comunidades de base, nas outras pequenas comunidades e movimentos” (n. 278d).


A comunidade é essencial para o crescimento ou amadurecimento da fé cristã e do seguimento de Jesus, como um jeito de ser, viver e testemunhar em ação missionária.


Dom José Mário S. Angonese

Bispo Diocesano


 
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