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A “Casa comum” pede socorro

Nos últimos anos vem crescendo a consciência de que, no planeta Terra, “tudo está interligado”. Há uma profunda relação entre a natureza e a sociedade. Uma agressão ao meio ambiente significa uma agressão ao ser humano. Estamos incluídos na natureza, somos parte dela e nos comprometemos. 


Quando um lugar é contaminado, ou entra em desequilíbrio, exige-se aí uma análise profunda do funcionamento da sociedade, da sua economia, do seu comportamento, das suas maneiras de entender a vida e a realidade. O Papa Francisco diz que, “dada a amplitude das mudanças, já não é possível encontrar uma resposta específica e independente para cada parte do problema. E fundamental buscar soluções integrais que considerem as interações dos sistemas naturais entre si e com os sistemas sociais. Não há duas crises separadas: uma ambiental e outra social; mas uma única e complexa crise socioambiental. As diretrizes para a solução requerem uma abordagem integral para combater a pobreza, devolver a dignidade aos excluídos e, simultaneamente, cuidar da natureza” (Carta Encíclica Laudato Sí, n. 139).


Ainda segundo Francisco, só podemos falar de autêntico progresso quando há melhoria global na qualidade da vida humana. Para que isso ocorra, é necessário ter atenção para com o todo da vida, incluindo os ambientes em que vivem as pessoas. Quando esse ambiente “aparece desordenado, caótico ou cheio de poluição visual e acústica, o excesso de estímulos põe à prova as nossas tentativas de desenvolver uma identidade integrada e feliz” (LS, n. 147).


Um sistema econômico que não olha para a pessoa como o centro, mas, que é orientado por outros interesses acaba por gerar desigualdades sociais, pois agride a vida, não só do ser humano, mas de todo o planeta, modificando nossa Casa comum. 


Tanto a extinção de espécies quanto os desequilíbrios climáticos apresentam forte ligação com a exploração desordenada e com o aumento da poluição. Raramente se registra o deslizamento de terras em áreas em que a vegetação está preservada. Contudo o contrário torna-se presente e desastroso em nossos dias, como atestam os rompimentos das barragens de rejeitos de minério no distrito de Fundão, em Mariana (MG), e no Córrego do Feijão, município de Brumadinho (MG). 


Por outro lado, afirma o Texto-base da CF 2020: “O Brasil é campeão mundial no uso de pesticidas na agricultura, alternando a posição, dependendo da ocasião, apenas com os Estados Unidos. O feijão, base da alimentação brasileira, tem um nível permitido de resíduo de malationa (inseticida) que é 400 vezes maior do que aquele permitido pela União Europeia” (CF 2020, n. 65).


A CF 2020 alerta também que “a natureza requer paciência para oferecer a nós o melhor ar para respirarmos; a melhor água para nos saciar; o melhor frescor da brisa suave em tempos cálidos; a chuva mansa que traz vida à terra. Terra que é mãe a nos oferecer seus mais belos frutos. Mãe que cuida e a quem devemos cuidar. Por que então não estamos cuidando dela como deveríamos?” O que está faltando? O que depende de cada um de nós?


Dom José Mário Angonese

Bispo de Uruguaiana


 
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